Dia: maio 13, 2008

Momento Twitter

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Vou lá ver o show do Rufus Wainwright e comento amanhã. Antes, vou passar na lanchonete e comer uma empada de frango. E sacar R$ 10 no caixa eletrônico. E responder um e-mail besta que recebi (já passei dos 140 caracteres?).

‘Momofuku’ Elvis Costello and the Imposters **

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Sei que sou o único que acompanha com muito interesse a faceta mais jazzística do Elvis Costello. Azar o meu. Este Momofuku (o nome parece ser referência a Momofuku Ando, criador do cup noodles!) tem, em grande parte, o que todo mundo espera, quer e cobra do sujeito: as referências de rock ‘n’ roll, as letras rebuscadas, a pose cool e auto-irônica. Em 2002, o compositor já havia revisitado o passado no saudosista When I was cruel. Desta vez, ele simplesmente veste sapatos velhos para um passeio na vizinhança.

Eu gosto, mas não consigo me entusiasmar terrivelmente com isso (não como acontece com o mais recente do Nick Cave, por exemplo).

É dos álbuns mais simples e despretensiosos que Costello já gravou. Não exibe um conceito, não aponta numa única direção musical, não tenta novos rumos e, ao contrário disso tudo, prefere capturar o clima de espontaneidade de algumas poucas semanas em estúdio. O disco nasceu quase de improviso, em sessões de gravação para o novo trabalho de Jenny Lewis (que participa de Momofuku), e é esse tom casual que acaba o diferenciando de álbuns como North (com aquela atmosfera glacial que adoro, mas às vezes soa blasé) e The delivery man.

É como se Costello tivesse despachado as canções sem refletir muito sobre o assunto. É por isso que faixas mais introspectivas e “maduras” (a ótima Flutter and wow, digamos) acabam abandonadas ao lado de homenagens meio juvenis a Dylan (American gangster time) e até de alguns flertes com psicodelia (Stella Hurt), crônicas à John Lennon (Mr. Feathers) e rock de arena (Go away). De tudo um pouco. É um disco que, sem querer, fica parecendo resumo de carreira. Um superficial resumo de carreira, ok, mas a graça da arte de Costello às vezes está lá mesmo: na superfície das coisas.