Dia: maio 7, 2008

Estômago **

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Os poderes transcendentais da gastronomia… quantos filmes não vimos sobre isso? Assim, digamos, por exemplo: o sujeito que, graças ao talento para bobó de camarão, acaba virando o todo-poderoso de uma pequena comunidade de glutões (o pior desse subgênero, para mim, continua Chocolate, com Juliette Binoche). Estômago parece seguir esse livro de receitas ao pé da letra, com referências explícitas a Peter Greenaway e Marco Ferreri e tudo. Mas o cozinheiro de João Miguel tem um dom ainda maior que o traquejo com panelas e temperos: de um jeito ou de outro, ele sempre subirá de vida. Sempre.

O filme se vende como uma fábula, e é melhor que seja assim. O jogo com duas linhas temporais (acompanhamos a trajetória anti-herói dentro e fora da prisão) acaba servindo ao ritmo da narrativa, mas o longa não deixa de servir alguns ingredientes rançosos. O perfil psicológico da prostituta Iria é raso demais para uma personagem decisiva para a trama (em uma linha: ela dança na noite e é tarada por coxinha de galinha). E, forçado que é, o clímax passa do ponto – periga deixar em parte do público a impressão de que todo o restante do filme escondia sob a aparência ambiciosa um ordinário prato-feito. Mas, para encerrarmos de vez esse banquete azedo de metáforas de forno-e-fogão: é bem temperado, o rango.

Meu nome não é Superoito

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Na atualização do site da Paisá, colaboro com dois textos de música: um falatório arrogante sobre Hard candy, da Madonna, e um comentário mais ou menos apresentável (ainda que prejudicado pelo calor do momento) sobre Nouns, do No Age. Além da minha participação muito discreta e humilde, há algumas resenhas bem decentes sobre cinema escritas por pessoas menos desatentas.

E para os que ainda não acreditaram no título do meu blog, a prova está lá.