Dia: maio 4, 2008

Raça, amor e paixão

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Campeonato é importante, um tesão, uma coisa louca, um arraso, um piripaque, emocionante etc, mas desejo secretamente o fim dos tempos toda vez que ouço aquele hino da torcida do Flamengo improvisado em cima do tema do Ayrton Senna (aos corajosos, aí vai o link para o atentado).

Sei lá, tem tanta coisa aí pra cantar. Créu. Dança do quadradoA nova do Coldplay. Wolf Parade. Wado. Qualquer troço. Onde está a criatividade dessa gente bonita?

(Enquanto isso, um tiozinho imita o Elton John no programa de tevê. Can you feel the love tonight. Vou ali me afogar no vaso sanitário e já volto.)

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A família Savage **

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No retrato de uma triste família de pessoas mui inteligentes, este filme produzido por Alexander Payne parece até ter sido encontrado numa gaveta de Noah Baumbach. Estamos em território conhecido, sinta-se em casa: Philip Seymour Hoffman interpreta mais um loser barbudo e o rótulo de Sundance nos prepara para boas e nanicas intenções. Duas seqüências, porém, me incomodam bastante.

A primeira: num carro em movimento, os irmãos lavam a roupa suja enquanto o pai, em processo acelerado de demência, olha a paisagem. Os filhos discutem sobre detalhes grotescos da vida doméstica. O homem velho discretamente reduz o volume do aparelho de audição e veste um capuz peludo. A câmera fica por uns segundos colada ao rosto do personagem, humilhado com o bate-boca.

A segunda: a mulher solitária pede para que o enfermeiro leia a peça de teatro semi-autobiográfica que ela acabou de escrever. Ele comenta que gostou muito do texto. A escritora, num rompante, beija o homem na boca. Ele refuga. Ela se envergonha. É então que o sujeito se explica: tem uma namorada e a ama. Há um gato no quarto, ele estava escondido sob o sofá. Constrangido, o bichano sai do plano.

É que não tenho absolutamente nada contra o estudo de dramas familiares, de questões mal-resolvidas entre irmãos, de acertos de contas, de tramas que se dedicam a registrar os instantes de tensão e de o tédio das nossas tragédias. Neste exato momento, me identifico com quase cada linha desse roteiro. Mas há tantas seqüências que sujeitam os personagens a situações de vexame e escárnio que fico na dúvida: devo sentir pena dos irmãos Savage ou da diretora Tamara Jenkins? De qualquer forma, o filme cumpriu a função de estragar meu domingo com cenas de neve, tratamento médico e reconciliações forçadas. Era isso, não era? E, no mais, é menos flácido que o último do Baumbach.

Venceu o que em Sundance mesmo?