Dia: abril 18, 2008

‘Nouns’ No Age ****

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Outro dia, no comentário sobre o álbum do Dodos, eu falava sobre bandas que nascem prontas. Pode ser prematuro escrever algo assim, mas esse parece ser o caso do No Age. Incrível como este duo de Los Angeles pode ser tomado como o negativo daquela dupla californiana. Randy Randall e Dean Allen Spunt deixam a sensação de que passaram anos e anos envolvidos no trabalho cuidadoso de construção de uma estética, que sofre sutis alterações de uma música para outra. É também um disco que impressiona, mas por caminhos opostos.

Ontem tentei ouvir um disco atrás do outro – primeiro o do Dodos, depois o do No Age. É como sair de uma banheira calorosa e tomar um golpe violento de ar frio no rosto.

Bom lembrar que o No Age não veio do nada, não nasceu como uma explosão espacial. A banda deve imensamente a uma cena noise que ainda fervilha no underground, e em muitos momentos soa como uma fusão do Sonic Youth dos anos 80 com My Bloody Valentine e a estréia do Jesus and Mary Chain. Eles têm o talento de saltar do hardcore furioso ao shoegaze mais melancólico em questão de microsegundos. Mas, acima de todas as referências, existe uma idéia de contenção – um conceito, uma sonoridade – que perspassa os dois primeiros discos do grupo: a coleção de compactos Weird rippers, lançada ano passado, e agora este Nouns, prestes a sair pela Sub Pop.

O álbum anterior entrou na lista de melhores da Pitchfork e o escambau. É um bom cartão de visitas, com todas as esquisitices programadas que provocam uivos de delírio no clubinho indie (eles alternam faixas instrumentais quase etéreas com choques elétricos de dois minutos de duração, por exemplo). Mas é com este Nouns que o No Age se depara com a necessidade de chocar um público mais amplo. É um desafio que eles vencem com muita vontade. O hype está justificado.

Há faixas que se destacam pelos surtos melódicos, como Teen creeps e Ripped knees, mas Randall e Spunt são artistas que entendem mais de ambientação que de canção. Tudo bem, é o que fazem (como diria a sabedoria carioca, cada um no seu quadrado). Nouns quer nos apresentar um mundo. Aí surpreende como, tão novo, o No Age já parece já ter habitado e dominado essa paisagem – selvagem, estranhamente familiar.

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