Walk hard: the Dewey Cox story **

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Sim, havia os desenhos animados. Mas lembro bem de quando me apaixonei terrivelmente, incondicionalmente por comédias. Na minha alfabetização, nada de Mel Brooks ou de Buster Keaton ou de Charlie Chaplin – esses viriam bem depois. Culpem o final dos anos 80, mas Corra que a polícia vem aí é meu Diabo a quatro (dos Três Patetas, que fique claro). Um clássico da minha pré-adolescência. Que, obviamente, morro de medo de rever.

Mas reconheço que o gênero defendido pelo trio David Zucker, Jerry Zucker e Jim Abrahams poderia ter sido enterrado em alguma matinê esvaziada de 1994. Banalizaram tanto as paródias de fitas de sucesso que hoje em dia qualquer lagartixa dirige filmes melhores que, para ficarmos no exemplo mais grotesco, Espartalhões.  Daí a surpresa que é esse Walk hard, a melhor aplicação rigorosa da cartilha desde… não lembro quando.

Infelizmente, ainda não é a paródia dos nossos sonhos. Co-escrito por Jude Apatow (de Ligeiramente grávidos), o filme poderia ter rendido muito mais que um simples amontoado de gags. É bem-vinda a ambição de espinafrar as cinebiografias mais automáticas de Hollywood (se bem que, ops, I’m not there também acaba virando alvo). Menos interessante quando as piadas se inspiram basicamente no repertório de dois blockbusters: Ray e Johnny & June.

A narrativa cai naquele vício de parecer uma compilação de esquetes do Saturday Night Live (está mais para Todo mundo em pânico que para Apertem os cintos, o piloto sumiu). Mas esse tipo de produto aborrece tanto que, no caso, dá para ficar muito animado com a qualidade das gags. A colcha de retalhos é alinhavada por um ótimo John C. Reilly, por boas canções e (algumas) sacadas atentas sobre os clichês da música pop. Toda a “fase obscura” de Dewey Cox, com viagens lisérgicas que descambam num álbum psicodélico absolutamente pretensioso e em canções políticas cheias de metáforas incompreensíveis, vale as referências abobadas aos Beatles e, bem, a Ray e Johnny & June.

Pena que Dewey Cox não sobreviva ao filme. Não é como Frank Drebin, um personagem de carne e osso. O herói de Walk hard é a soma de três ou quatro caricaturas. E de, ok, cinco ou seis piadas verdadeiramente hilariantes.

9 comentários em “Walk hard: the Dewey Cox story **

    Fernando disse:
    março 30, 2008 às 5:16 pm

    Qual o seu Dylan favorito? Tem texto pro I’m not there?

    Tiago respondido:
    março 30, 2008 às 10:44 pm

    Fernando, não tem texto pro I’m not there… Meu Dylan favorito do filme? O da Cate Blanchett mesmo.

    Fernando disse:
    março 30, 2008 às 11:21 pm

    Não, Tiago. O disco, hehe.

    Tiago respondido:
    março 31, 2008 às 12:15 am

    Blood on the tracks e Bringin it all back home.

    daniel pilon disse:
    março 31, 2008 às 11:29 am

    Bringing it all back home… é o meu favorito também.

    cavalca disse:
    março 31, 2008 às 1:44 pm

    Penso parecido. Eu gosto do filme mais como sátira dos Rays e Walk the Lines da vida do que como comédia. E o Reilly tem um vozeirão.

    Tiago respondido:
    março 31, 2008 às 1:52 pm

    Acho que o filme até tenta ser algo além de uma simples sátira (os 15 minutos finais se distanciam um pouco do gênero), mas fica no meio do caminho.

    Priscila disse:
    abril 1, 2008 às 12:03 am

    Alguma espécie de update com relação ao álbum do Elbow?
    :)

    Tiago respondido:
    abril 1, 2008 às 1:04 am

    Ouvi pouco esse disco, Priscila. Mas é aquela coisa: reconheço, é um bom disco, só não é minha praia. Tenho problemas com esses álbuns mega-ambiciosos, e isso já vem lá dos tempos do Manic Street Preachers.

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