Dia: março 18, 2008

Horton e o mundo dos quem **

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Me interessei pelo filme depois da recomendação muito entusiasmada de um amigo meu, que calha de ser crítico de cinema, e talvez por isso eu tenha saído da sessão assim, decepcionado. Está muito longe de ser uma bela animação, do nível de um Ratatouille e até de um Monstros S.A. Frustra por seguir à risca uma fórmula que a Blue Sky aplicou em Era do gelo 2 e Robôs. Isto é: as tramas podem ser compreendidas por crianças de três anos, mas existe um subtexto ambíguo que abre nessas historinhas uma gama de interpretações mais, digamos, adultas.

Em Era do gelo 2, não sei se vocês lembram (e estarão perdoados se não lembrarem, o filme é bem esquecível), havia a questão do aquecimento global. E Robôs tinha um quê marxista demodé, tratava da luta de bichinhos fofos contra a exploração de uma sociedade cada vez mais mecanizada. Neste Horton, há como encontrar uma mensagem pacifista sobre a convivência entre diferentes povos. “Pessoas são pessoas, não importa o tamanho”, eis a lição largada pouco antes dos créditos finais. A igualdade em tom pastel.

Sabemos que há motivações políticas nos livros do Dr. Seuss (de onde o filme tira inspiração), mas o que me incomoda em Horton é como esse método da Blue Sky virou uma cartilha. É procedimento mecânico, frio. O que os operários insatisfeitos de Robôs diriam disso? Ora, é um desenho que poderia ter sido feito por qualquer funcionário do estúdio que compreendesse mais ou menos o universo de Dr. Seuss e entendesse as regrinhas básicas das animações digitais – piadas auto-referenciais, por exemplo. Não vejo nada extraordinário no filme, ainda que não consiga encontrar grandes problemas.

É mais ou menos como As crônicas de Spiderwick (**), que nem faz por merecer um comentário à parte. Não ofende, funciona até direitinho (no caso, é uma fita de horror para menores de 14 anos, e superior a Nárnia e A bússola de ouro) mas também deixa aquele sabor de produto excessivamente calculado. Falta autoria. No caso de Spiderwick, é caso até interessante: Mark Waters, de Meninas malvadas, faz filmes decentes quase invariavelmente. Mas quem é Mark Waters? Não sei. Não me pergunte.