Dia: março 16, 2008

Ji Yeon ***

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Não sei se temo em vão, mas suspeito que um dos maiores inimigos desta temporada de Lost é a angústia dos fãs e produtores em torno das revelações dos mistérios da série. Confesso que também quero muito saber todas as explicações possíveis para os segredos do universo, mas fica a impressão de que cada episódio obrigatoriamente tem que soltar três ou quatro spoilers monumentais. Quando isso não acontece, como no caso do anterior The other woman (que, por uma questão de timing e também de certa irrelevância, vou deixar passar em branco), os roteiristas são crucificados. Taí: enquanto muitos dos losties ainda estão presos na ilha, nós estamos confinados num interminável último capítulo de novela.

O que não é nada desconfortável quando o último capítulo sai azeitado como este Ji Yeon, um episódio que consegue equilibrar a necessidade desesperada de satisfazer a ansiedade dos fãs (conte aí o número de revelações bombásticas: o espião no navio, a suspeita de que Ben teria forjado o acidente de avião em tempo recorde e matado centenas de pessoas para colocar o plano em prática, o destino de Jin) com uma narrativa, na medida do possível, coesa.

É possivelmente o melhor momento do (monocórdico) casal Sun e Jin na série inteira, e graças a uma boa idéia dos roteiristas: jogar com as expectativas do espectador, que pensa assistir a mais um simples flashfoward, e usar o formato para efeitos sentimentais muito convincentes. O recado: enquanto quebramos a cabeça para desvendar os segredos da ilha, os produtores da série se esforçam para encontrar maneiras de puxar o nosso tapete. O jogo é esse.

Se considerarmos The other woman uma trama sobre o inferno dos relacionamentos possessivos (ok, vocês entenderam), estamos diante de mais uma história de amor. Mas enquanto The constant era esperançoso de um jeitão ingênuo, à Spielberg, este episódio aqui explora o tema por um viés mais duro e cruel (a própria estrutura narrativa dá um golpe forte no espectador), ainda que seja difícil encarar os eventos que encerram o capítulo como definitivos. Os produtores da série sempre precisarão de surpresas para abastecer nossa curiosidade, e já sabemos que o truque de ressuscitar antigos personagens é bem aceito por aquelas bandas.

E o desfecho? Por uma série de razões, estou soltando fogos de artifício.

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