Dia: março 5, 2008

10.000 a.C. *

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Confissão rápida antes de começar este texto: Stargate talvez seja um dos maiores traumas da minha adolescência. Odeio agressivamente esse filme e não sei o motivo de tanto asco. Não tentei ver de novo. Nem tentarei. Sempre que me aproximo da fita de vídeo, meu estômago se dobra em três. Um dia descobrirei que fui estuprado por cinco estivadores naquela sessão de cinema. Meu cérebro bloqueou o estupro, mas não o filme.

Ok, ao texto.

Em 10.000 a.C, nosso chapa Roland Emmerich deixa de lado o universo das ficções desvairadas (que rendeu os inofensivos Independence day e O dia depois de amanhã) e retorna com um épico de aventura à Sessão da tarde. É aquele tipo de enteretenimento bocó em que personagens vestidos em farrapos saem em guerra contra gigantescos animais pré-históricos, e você já sabe tudo que virá em seguida. Há um congestionamento de tribos medonhas em cena, como de costume.

O diretor havia explorado o gênero há 14 anos, com Stargate. Felizmente, as semelhanças entre os projetos não são tão intensas assim. Neste novo filme, a maior ambição de Emmerich não é fritar nossos neurônios, mas criar uma fábula empoeirada daquelas que, segundo ele, “as pessoas contam umas para as outras ao redor da fogueira”. Um perigo. Se me contassem essa história e eu estivesse perto de uma fogueira, cairia no sono e sairia cheio de queimaduras.

Pelo clima de desfile de Joaosinho Trinta, Emmerich deixa a impressão de ter catado clichês numa lata de lixo. Lembra Apocalypto, só que sem o tino de Mel Gibson para o corre-corre frenético. Lembra as matinês que você não viu direito, tão preocupado estava em contar as jujubas vermelhas na embalagem de plástico. Lembra Acquária, mas só para o público brasileiro.

Só sei que o cinema de Emmerich continua a despertar em mim um tipo cada vez mais dócil de indiferença. Não tenho raiva. Juro que não. Mas, deste que vos escreve, ele só consegue arrancar textos vazios e metidinhos. Nada além. Quer dizer, não estou falando de Stargate. Aí é caso de polícia mesmo.

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