Dia: fevereiro 7, 2008

The beginning of the end ***

Postado em Atualizado em

beginning.jpg

Ok, vocês estão certos. Eu deveria me preocupar com outras coisas mais importantes, coisas que não transformassem minha rotina em um puzzle fadado a um desfecho frustrante, mas isso está além das minhas forças. Encarem como uma campanha para aumentar o número de acessos ao blog, ou como algo oportunista do gênero. Mas estou nesta temporada até o fim, e só vou sair daqui quando me explicarem didaticamente o que acontece nessa ilha cavernosa (brincadeira: aceito finais em aberto, contanto que brilhantemente arquitetados).

Se bem que… Não sei se vocês lembram, mas o episódio final da terceira temporada transformou Lost em obra de arte. Depois dele, tudo ficou consideravelmente mais complexo. Aqueles 40 e poucos maravilhosos minutos enterraram a pergunta que movia a série – “Eles sairão da ilha?” – e substituíam por outras, muito mais interessantes. A questão toda agora não se limita a dificuldade de escapar, mas à extensão dos conflitos entre os personagens e ao tamanho da intriga que os prende àquela caixa de Pandora. É dentro da ilha que a existência desses personagens ganha sentido – é lá onde eles participam de uma grande aventura. E, agora, seis deles sabem perfeitamente disso.

O episódio de estréia da nova temporada dá a entender que, daqui em diante, os flashbacks serão substituídos em grande parte por flashfowards. Por mim, está muito bom. Até agora, a função dos flashbacks era delinear os personagens, garantir a eles um passado. Esses galhos da narrativa, porém, passaram a soar como maneirismos (e, em muitos episódios, pareciam até penduricalhos desnecessários). Os flashfowards resolvem esse problema, e tendem a aprofundar o suspense da trama. Se o espectador continua sem saber muito sobre o futuro dos habitantes da ilha (a graça da série está na construção de expectativas da platéia), também está perdidinho diante do que acontece lá fora.

A idéia de concentrar um episódio tão importante na figura do Hurley também caiu como uma boa surpresa. O gordinho, que funcionava como mero apaziguador, agora enfrenta séria crise que só intensifica a sensação de que a temporada seguirá numa via de mão dupla: entre a esperança dos que tentam sair da ilha e a culpa dos que, no futuro, já saíram. Há outros (e muitos) mistérios abandonados no meio da trilha, mas suspeito que eles só serão resolvidos numa etapa ainda distante – a aparição do pai do Jack na cabana mal-assombrada, por exemplo. Poeira nos olhos.

Em resumo: se não fica à altura do desfecho da temporada anterior (quase nada fica, convenhamos), o episódio acompanha muito dignamente o rastro. Não me fez engasgar com a pizza de mussarela nem provocou discussões acaloradas na hora do cafezinho (minha vida é um episódio de The Office, pff), mas abriu um número grande de possibilidades para a saga sem deixar a impressão de que, mais uma vez, estamos sendo trapaceados. E, quando a série opera esse truque com talento, invariavelmente acerta.

PS: Eu jurava que, depois daquele mergulho-bomba do Hurley, um outro avião despencaria na ilha. Decepção.