Dia: janeiro 18, 2008

P.S. Eu te amo **

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Nunca vi tanta gente chorando ao mesmo tempo numa sala de cinema.

E a sala estava lotada e era quinta-feira e o ingresso não estava em promoção. Ou seja: temos um hit. Mas que hit absolutamente cruel! Ele consegue tocar praticamente todos os 68 pontos fracos do espectador que viveu uma história de amor e revirar uns 42 traumas de quem perdeu alguém querido. O público-alvo é, perceba, vastíssimo.

A trama abre com uma longa (e até bem estranha, para filmes do gênero) cena de amor/ódio entre quatro paredes, e depois dos créditos iniciais somos logo jogados em um velório. Sem gelo. O lado masculino do par romântico foi para o espaço, e assim o filme começa. Dali em diante, veremos um conto de viuvez que levará à estratosfera a idéia de que o amor não acaba com o fim da relação – o que faz do filme um complemento mórbido a O passado.

Navegando nesse mar de lágrimas está Holly (Hilary Swank), que se começa a se afogar em luto quando descobre que, antes de ser derrubado por um tumor cerebral, o maridão (Gerard Butler) deixou um plano engenhoso para se fazer presente depois da morte – via cartas, presentinhos fofos, viagens pré-agendadas. Em vez de superar a perda e seguir em frente, a mulher ganha a opção de simplesmente adiar o desfecho da história. Aceita a proposta com todo o entusiasmo do mundo. Não é a atitude mais correta, mas quem faria diferente?

Para cada momento de felicidade da viúva alegre haverá um contraponto dolorido. As sequências são filmadas deste jeito: começam melancólicas e, do nada, descambam em piadinhas tolas. É uma comédia de fantasmas, macabra que só. Mas também uma metáfora até bem sensível (mas duvido que vá agradar a todos os públicos) para a imensa dificuldade de nos desligarmos de alguém muito próximo.

Diante dessas imagens, não temos muito a fazer além de chorar. Chorar por medo de morrer, chorar por medo de perder alguém, chorar com lembranças que vêm e vão. É um filme que joga sujo, como uma terapia de grupo. Mas que me surpreendeu por enfrentar um tema difícil, necessariamente triste, sem abandonar um projeto cômico.

Não é o romance ideal (eu tiraria uns 20 minutos de flashbacks chorosos, para ficarmos apenas em um problema). Mas que é um bicho esquisito, é.

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