Dia: dezembro 3, 2007

XXY ***

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O único traço sensacionalista neste filme (cuja protagonista é uma hermafrodita de 15 anos) é o título. Talvez por isso o filme acabe por se revelar uma tão grata surpresa. Se a premissa sugere o perfil de uma personagem marginalizada, a diretora supera as expectativas ao usar esse chamariz – aliás, uma bela sacada de marketing – para tratar de questões mais amplas sobre sexualidade e afetividade. Mais que tudo, é filme que lida com a adolescência de uma forma muito franca, e a trata sobretudo como fase de indefinições e experiências – a personagem principal nada mais seria que um caso extremado de dramas que quase todo mundo vive. As atuações de um elenco de desconhecidos são tão boas (pra ter uma idéia, Ricardo Darín é um dos atores menos destacados em cena) que fica muito simples aceitar tipos que poderiam ter soado caricaturais ou pouco críveis. É o caso raro de filme que, ao final da projeção, nos faz querer conhecer mais sobre os personagens e os atores que os interpretam.