Vencedores do Festival de Brasília

Postado em Atualizado em

Filme para Cleópatra. Direção para Laís Bodanzky, por Chega de saudade. Prêmios “técnicos” quase todos para Cleópatra. Alessandra Negrini melhor atriz, Eucir de Souza melhor ator (por Meu mundo em perigo, que ganhou prêmio da crítica), Anabazys com prêmio especial de júri. Chega de saudade com júri popular.

Foi a vaia mais barulhenta da história do festival. O público simplesmente deu as costas pro Bressane e abandonou a cerimônia de premiação. É isso aí. Estou satisfeito com o resultado.

Antes de cometer presepadas ou cair no erro de render-se à tal “voz do público”, o júri parece ter parado para refletir sobre o conceito do festival, à margem do mercado e com foco na ousadia. Ainda bem. Caso Chega de saudade tivesse vencido, esse teria sido um dos resultados mais medíocres da história da mostra (um bom par para Amor & cia, de Helvécio Ratton).

Só não precisavam ter abandonado tão completamente o filme do Reichenbach (que ficou com prêmio de atriz coadjuvante, para Djin Sganzerla). O troféu para a Negrini é duvidoso, mas até aí o júri marcou posição na defesa da inventividade contra uma arte funcional. Alívio.

3 comentários em “Vencedores do Festival de Brasília

    Sidarta disse:
    novembro 28, 2007 às 1:01 pm

    O duro é tá cheio de artista que só vive de rendas públicas. Só tem de convencer alguns poderosos que tá tudo certo.

    Se o cara fizesse um filme “arrojado”, “inovador”, com o dinheiro dele, tudo bem.

    Mas o dinheiro do público não pode se prestar a financiar uma patotinha bem fechada e restrita. Só os amigos dos amigos, de forma bem privada, têm direito ao que é de todos.

    Se pelo menos o financiamento se restringisse à feitura do filme, mas financiam até a bilheteria que eles não estão nem ai.

    O Brasil merece continuar na periferia do Mundo mesmo. Lei de incentivo que dá milhões, que deveriam ir pra Saúde, para filmes que não têm bilheteria é a mesma coisa que corrupção. O ruim é publicizado e o que é bom é privatizado.

    Ou só os políticos são os culpados?

    Tiago Superoito respondido:
    novembro 28, 2007 às 1:29 pm

    Cara, é uma discussão bem longa, essa. Ainda mais se você colocar no contexto de um país que não tem uma indústria de cinema, os filmes não se pagam na bilheteria e os diretores fazem “concessões” para chegar a um público que não parece existir. Não dá para partir do princípio de que dinheiro público tem que financiar filmes “populares”, já que a existência desse tipo de filme, por si só, é ilusória. O próprio “Tropa de elite”, que custou 10 milhões, faturou cerca de 2 milhões em bilheterias. Não se paga.

    Agora, a questão da patotinha é outra coisa. Concordo contigo de que deva haver uma abertura maior para novos cineastas.

    Filipe disse:
    novembro 28, 2007 às 6:57 pm

    Absurdo é dar dinheiro para filme pseudopopular como – pelas descrições -é o da Lais que quando estreiam são um desastre dentro da proposta de publico que eles pretendem, ou seja são um desastre se a idéia é fincar um cinema industrial e tem sempre concessões demais para funcionar como arte. Cineastas como Bressane recebem financeamento governamental em qualquer lugar do mundo direta ou indiretamente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s