Dia: novembro 22, 2007

Amigos de risco *

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O Festival de Brasília abriu a mostra competitiva com este pequeno longa pernambucano, gravado em digital com orçamento reduzidíssimo. Antes da exibição, o diretor Daniel Bandeira, 28, admitiu que o simples fato de participar de competição já podia ser encarado como vitória. Encaremos assim, então.

É um filme muito modesto, mas que disfarça certa ambição – registrar a noite de Recife em digital, por exemplo, ou incluir uma cena de perseguição que parece até homenagem a Colateral. Nos primeiros 20 minutos, desenvolve um bom trabalho de elenco. Os atores ganham espaço para apresentar cada personagem, sem pressa, e há um cuidado interessente em preservar sotaque, gírias, a espontaneidade das situações. Até aí, vale.

Quando o conflito principal entra em cena – numa noitada em que absolutamente tudo dá errado, um homem apaga e é carregado por dois amigos -, esse esforço todo parece desabar lentamente aos olhos do público. Na platéia, alguns notaram um quê de Depois de horas, outros identificaram parentesco com Um morto muito louco, outros contaram os minutos para o fim da sessão (e o longa tem 88 minutos). Uns riram com o filme, outros riram do filme. Parece haver uma tentativa de flertar com o nonsense (o diretor se diz influenciado até por blaxploitation), mas o que salta aos olhos mesmo é um texto muito pueril, aflito por enumerar as crueldades de um mundo em que, como dizia aquela música do Detrito Federal, ninguém ajuda ninguém. Um cinema feito com vontade, mas ainda cronicamente inviável.

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