Uma câmera na mão e uma mordida no pescoço. No nosso pescoço. Diário dos mortos é isso. É também a primeira produção independente de George Romero desde Terra dos mortos, produzido pela Universal. São dois projetos muito diferentes, a começar pelo orçamento. O longa de 2005 custou US$ 16 milhões. O de 2007, US$ 2 milhões. Parece detalhe bobo, mas que acaba dizendo muito sobre o atentado mais recente do diretor de A noite dos mortos-vivos (1968). Sem a necessidade de cumprir, enfrentar ou subverter certas expectativas comerciais de grandes estúdios, Romero pode fazer o que bem entende, do jeito como bem entende. E faz. Não vem ao caso pedir bênção a ninguém (muitos menos aos fãs dos próprios filmes de zumbi do cineasta, que seguiam uma certa linha evolutiva parcialmente abandonada neste quinto rebento). Romero revê o próprio legado como se dirigisse um remake de Zombie – O despertar dos mortos, de 1978, para ser exibido no YouTube. Até a trama, que segue um grupo de universitários em fuga num país dominado por mortos-vivos, parece raqúitica, requentada. É que, oras, Diário dos mortos não é um filme sobre zumbis – esse já foi feito trocentas vezes. É uma produção de horror que tenta interpretar e habitar o mundo em que vivemos – e, maravilhosamente confusa e imperfeita, acaba soando como uma experiência incompleta, uma falha no sistema. Em Zombie, os monstros perambulam diante de vitrines de shopping centers. Já em Diário dos mortos, eles são protagonistas de produções caseiras distribuídas no MySpace. O humor de Romero, ainda ardido, dá conta de expor o caos das nossas imagens. Os personagens querem a “verdade”, e por isso se equipam com câmeras digitais: mas eles próprios parecem falsos, a disparar frases prontas e a se meter em cenas que reproduzem trechos de fitas baratas e amadoras de horror. A sobreposição de discursos aprofunda a sensação de estarmos sobre terreno movediço – o filme-dentro-do-filme, chamado The death of death (um título hilariante por si só), é dirigido por um dos personagens (que não sobrevive ao fim da história) e editado por outro. Num planeta em que ninguém é dono da palavra final, em quem acreditar? A cada truque de montagem, o filme nos larga no tiroteio. Tudo parece simultanemanente artificial e tenso. Uma brincadeira no apocalipse. Um dos ataques de zumbis é precedido por uma narração em off que, distanciada, vai mais ou menos assim: “pensei muito se incluiria ou não essa cena no filme, mas percebi que precisava mostrar a vocês tudo o que aconteceu”. A lição desde making-of acoplado à narrativa é simplezinha, mas urgente: o que vemos, explica Romero, depende das escolhas de quem coloca as imagens no ar (e, nesse comentário sobre nossa crise moral, o filme consegue ser ainda mais direto que Redacted, de Brian de Palma). Lá pelas tantas, Romero dará o golpe derradeiro ao confundir a violência instintiva dos vilões da história com as obsessões dos heróis, famintos por imagens grotescas. O tipo mais assustador da trama não se alimenta de gente – é apenas um sujeito que não consegue se desligar de uma câmera. Está grudado ao aparelho, e se arrasta como um personagem doentio de um antigo filme de David Cronenberg. Diário dos mortos termina sem atenuantes: é filme de autor novo, ainda agoniado com todas as tantas perguntas que não consegue responder.
Diário dos mortos ****
Maio 6, 2008 por Tiago Superoito

A lição de moral no final põe tudo a perder…
Achei fraco por demais, filme todo guiado e encaixado, hora nenhuma senti um “quê” de tensão.
Sabe quais são as diferenças entre cloverfield e diário dos mortos?
O primeiro é melhor, mas não tem nem uma grama produzida pelo peso de ter Romero como diretor.
Acho que a diferença é que em “Cloverfield” há o herói boa-praça que carrega a câmera e filma a catástrofe. Em “Diário dos mortos”, esse sujeito que “dirige” o filme está quase tão doente quanto os zumbis.
O filme é maravilhoso. Agora eu não discordo que a cena final poderia tranquilamente cair, apesar de ser extremamente crível como exatamente a forma como uma estudante de cinema como aquela acharia melhor encerrar aeu filme.
Alias Tiago, os textos da Paisà ficaram ótimos.
Eu gosto da cena final. Mas vou rever o filme em breve, aí digo se continuo gostando.
Valeu, Filipe.
Eca.
Mas nem com Superoito me aconselhando verei isso.
Não confie nos meus conselhos pra filmes, haha.
Me fez pensar se realmente vale a pena salvar a nós mesmos….Acredito sim na possibilidade dos mortos voltarem a viver….Por isso já deixo bem claro tenho armas e comida….O abrigo está localizado nas Serras de Petropólis já o outro abrigo em uma Plataforma de Petroléo afundada P-36 Bacia de Campos….
Se vc acredita em mim bom vc está a salvo se não azar vc está morto.
Para quem quiser mais informações basta encontra no orkut como….Vicktor (F.e.a.r – E.t.r.r)
A todos desejo uma boa sorte.
kkkkkkkkkkkkkkkkkk bandos de viados