Ok, M.I.A. e Santogold jogam no mesmo time. São comadres, compram na mesma butique, tomam uns tragos com o Diplo. Mas, enquanto a primeira se beneficia de uma atitude mais agressiva e desrespeitosa (em relação a tudo, das letras às fusões musicais), a segunda prefere testar combinações menos radicais, mais conservadoras. Digamos que M.I.A. esteja em busca do contraste, do choque. Já Santogold tenta recuperar o frescor de antigos gêneros (mais ou menos como uma Lily Allen). Discos assim, desesperados para testar de tudo, geralmente frustram pela falta de foco. Mas não este. Santogold se assume como álbum pop, e se move com muita segurança dentro desses limites. Até a pose roqueira de faixas como Lights out e I’m a lady não parece de encomenda. A tendência é que muita gente subestime o álbum pela aparência superficial e pelos refrãos imediatos. Mas são elementos que distanciam Santogold do radar indie e permitem que ela dialogue, sem apelações, com um público mais amplo. Maior que o da M.I.A, talvez. Um outro mundo. Eu, que comecei a ouvir o disco cheio de preconceitos, não tenho do que reclamar.
Compará-la com a M.I.A. é mesmo o caminho mais fácil – as duas fazem bagunça com estilos como dub, funk, pop rock e eletrônica. Mas é perigoso limitar a norte-americana Santogold e esse jogo dos sete erros, até por um motivo bem simples: quatro anos antes do primeiro álbum da inglesa, Arular, Santogold já havia produzido e escrito um ótimo disco de soul music chamado How I do, para a cantora Res, que também se esbaldava num sopão de referências. O melhor a fazer com esta estréia é tratá-la como um progressão do trabalho de Santogold como produtora. E, apesar do pop globalizado de faixas como Creator e Say aha, vale esquecer a existência de faixas como Bucky done gone por alguns minutos.
‘Santogold’ Santogold ***
Maio 5, 2008 por Tiago Superoito