
As primeiras imagens nos levam ao final dos anos 80, quando a polícia de Nova York saía em uma cruzada contra o tráfico de drogas – e ostentava o lema “we own the night”. Nessa guerra, dois irmãos habitam fronts opostos: o bon vivant gerente de boate (Joaquin Phoenix) se envolve com traficantes russos. Já o tira honesto (Mark Wahlberg) se empenha para desbaratar essa quadrilha. O confronto será inevitável – e sabemos disso, sabemos até cedo demais.
Já vimos esse filme antes, e não necessariamente em Os infiltrados. Mas o interessante é como James Gray toma essa trama manjada e a interpreta pelo olhar de um personagem entorpecido por conflitos psicológicos e familiares – a atuação de Phoenix, aliás, é espantosa. As cenas mais impactantes são cercadas por névoa, parecem rastejar na tela, dispensam artifícios fáceis e são encenadas para materializar um estado de espírito. O clímax, por exemplo, é o oposto do que se espera de uma fita policial. Não há catarse – a bomba não explode nunca.
Gray filma essa tragédia anunciada com muita elegância – que às vezes esbarra em um registro frio, e não chega a compensar as muitas obviedades da trama. Seria um caso de conquista lenta? Talvez melhore em uma revisão.